
Girando sobre uma órbita consumista a sociedade tem se mostrado cada vez mais efêmera, menos firme naquilo que, há algum tempo atrás, era a principal luz do caminho humano, a razão. O passado marcado pela repressão e pela treva parece não influenciar nas escolhas contemporâneas. Ao incorporar o consumismo como condição existencial, o homem nega seus valores, conquistados através de importantes embates históricos, e os inferiorizam, os tornam descartáveis.
O homem, como ser desejante que é, deixou de buscar a solução de seus problemas em ideologias para buscar em shoppings ou nas “25 de março”. Simultaneamente, o pensamento próprio foi substituído pelo pensamento adquirido, aquele oferecido pela mídia, o motor do consumo. Essa alienação é a condição para uma sociedade consumista, afinal, como nos entregaremos aos desejos mundanos tendo em nossa mente pensamentos críticos?
O consumo, ao assumir caráter existencialista, tornou-se uma patologia. A compra do necessário para se viver foi trocada pela necessidade de se comprar para viver. E isso mostra evidencia a banalização dos valores humanos, já que a compra sugere algo passageiro, que logo precisa ser substituído, pois já não atente as necessidades ou aos desejos. Se antes o que impedia a evolução de uma sociedade era seu caráter monárquico, baseado no mercantilismo, na falta de mobilidade social e na repressão cultural, hoje é a liberdade que cega o individuo, desnorteando-o e levando-o cada vez mais a extremos.
A sociedade , eufórica diante do poder de escolha, tem invertido o sentido de liberdade. Esta, ao invés de iluminar o abismo em que se encontrava a sociedade, tem soterrado a mesma cada vez mais. Homens, seres capazes de se eternizarem no tempo, antes dependiam de homens, agora dependem de produtos, que não irão além de algumas memórias. O que era pra trazer felicidade só tem levado á beira do abismo.
Gabriela Porto
