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Consumo, logo existo 09/09/2009

Filed under: Filosofando — jackfelix @ 16:15

Girando sobre uma órbita consumista a sociedade tem se mostrado cada vez mais efêmera, menos firme naquilo que, há algum tempo atrás, era a principal luz do caminho humano, a razão. O passado marcado pela repressão e pela treva parece não influenciar nas escolhas contemporâneas. Ao incorporar o consumismo como condição existencial, o homem nega seus valores, conquistados através de importantes embates históricos, e os inferiorizam, os tornam descartáveis.

O homem, como ser desejante que é, deixou de buscar a solução de seus problemas em ideologias para buscar em shoppings ou nas “25 de março”. Simultaneamente, o pensamento próprio foi substituído pelo pensamento adquirido, aquele oferecido pela mídia, o motor do consumo.  Essa alienação é a condição para uma sociedade consumista, afinal, como nos entregaremos aos desejos mundanos tendo em nossa mente pensamentos críticos?

O consumo, ao assumir caráter existencialista, tornou-se uma patologia. A compra do necessário para se viver foi trocada pela necessidade de se comprar para viver. E isso mostra evidencia a banalização dos valores humanos, já que a compra sugere algo passageiro, que logo precisa ser substituído, pois já não atente as necessidades ou aos desejos. Se antes o que impedia a evolução de uma sociedade era seu caráter monárquico, baseado no mercantilismo, na falta de mobilidade social e na repressão cultural, hoje é a liberdade que cega o individuo, desnorteando-o e levando-o cada vez mais a extremos.

A sociedade , eufórica diante do poder de escolha, tem invertido o sentido de liberdade. Esta, ao invés de iluminar o abismo em que se encontrava a sociedade, tem soterrado a mesma cada vez mais. Homens, seres capazes de se eternizarem no tempo, antes dependiam de homens, agora dependem de produtos, que não irão além de algumas memórias. O que era pra trazer felicidade só tem levado á beira do abismo.

Gabriela Porto

 

Não deixe o samba morrer 07/09/2009

Filed under: Dança,Música — jackfelix @ 14:22

1_roda_de_samba

        

         Beth Carvalho realizou um antigo sonho ao lançar o DVD ” Beth Carvalho canta o samba da Bahia”, um projeto há muito tempo idealizado. O DVD apresenta um sofisticado documentário a respeito do samba-de-roda, um rico registro cinematográfico dessa divertida e alegre tradição imaterial brasileira.

        O documentário recebe o nome de ” Quero ver as cadeira bulir ” e foi dirigido por Marta Jourdan, que soube resgatar tão bela e preciosa manifestação cultural brasileira e que hoje, apresenta diversas vertentes. Duas modalidades são mais comuns no samba-de-roda: o samba chula e o samba corrido, que nos conduzem a outro tempo e espaço, esquecidos no caminho do samba atual, do samba carnavalesco, do Samba do Rio, que se apresenta com uma coreografia e cenografia utilizada juntamente com o samba-enredo das escolas de samba.

        Porém, o samba-de-roda até hoje, persite, graças aos atuais mantedores do ritmo, hoje, pouco cuidado pela própria Bahia, como lamenta o sambista Roque Ferreira, no curta ” Se a Bahia é mãe do samba, ela é uma péssima mãe. “

        Direto do Recôncavo Baiano, de onde se espalhou para o Rio de Janeiro, para São Paulo e até Minas Gerais, o samba-de-roda, a matriz do samba, é apresentado no curta como mais que uma dança, o ritmo envolve cultura e crença religiosa. O samba-de-roda é festa e também religião, depois do horário de reza a festa é regada com samba.

        O samba-de-roda foi tombado pela Unesco como um patrimônio imaterial da humanidade, por atestar a riqueza e a tradição cultural dos escravos africanos levados para a região do Recôncavo. Essa forte ligação do samba-de-roda ás tradições culturais escravas, incluem, entre outras, o culto aos orixás e caboclos. Essa herança cultural negro-africana se mesclou com os traços culturais trazidos pelos portugueses, como certos instrumentos (viola e pandeiro principalmente).

        Em meio a batuques e danças o curta apresenta depoimentos de célebres cantores, compositores e figuras marcantes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Danilo Caymmi, Carlinhos Brown, Olodum, Edil Pacheco, Roberto Mendes, entre outros, que possuem importantes músicas que marcam a imagem do samba brasileiro, como a música de Vinícius de Moraes em que ele diz : ” O samba nasceu na Bahia, se hoje ele é branco na poesia, é negro demais no coração. “. Mas o samba é muito mais do que poesia, ele é tradição, é história, é um modo de vida daqueles que se vêem capazes de dançar samba e iver o samba por toda a vida.

        “Quero ver as cadeira bulir´” é um ótimo documentário, muito bem produzido e bem pensado que nos mostra a matriz do samba, a origem de todos os tipos de samba que hoje, são conhecidos. A matriz deve ser preservada. Para preservar é preciso conhecer, e é por meio de trabalhos como este documentário, que nos ajudam a enxergar a beleza de manifestações culturais tão próximas, e tão distantes ao mesmo tempo, afinal, não se pode deixar o samba morrer.

 

                                        Âmela Caroline Ribeiro

 

 

 

 
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